Review: “Sicario – Terra de Ninguém” e a politicagem que desconhecemos

Geralmente escolho os filmes que quero assistir de acordo com elenco ou direção. Como não tenho mais costume de assistir a trailers e, consequentemente, não leio sinopses, posso dizer que assisto aos filmes no escuro, sem trocadilhos com a projeção na sala de cinema. Logo, a escolha por um filme com Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin com direção de Denis Villeneuve não foi assim tão difícil.

Sicario: Terra de Ninguém começa com uma das cenas mais fortes que vi em filmes esse ano. As equipes do FBI e da SWAT fazem batida numa casa e encontram muitos corpos enterrados nas paredes e não demora os ligam a ações de cartéis que agem no México, bem perto dali. Porém, a descoberta atrai a atenção de Matt Graver (Josh Brolin) que sob um disfarce diz querer a ajuda de Macer (Blunt) na ação que fará com que o responsável pelas mortes seja preso. E daí para frente a vida da Agente só complica.

Blunt é a típica Agente certinha do FBI que, sem saber, acaba caindo numa rede bem intricada armada pelos personagens de Brolin e Del Toro. E é quando aprendemos que nada sabemos sobre o filme.

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A princípio pensei que a personagem da Blunt fosse a principal. Errei. Pensei que fosse ser um filme com muita ação, perseguição e tiros. Errei, pela metade, tem muito tiro realmente. Pensei que fosse sobre problema das drogas. Errei, de novo, pela metade. Em suma o que Villeneuve faz é apresentar uma história, nos convencer dela e de forma espetacular muda-la sem que cheguemos a sentir. De repente o jogo vira e nos vemos em meio a problemas de política entre agências (há uma conhecida rixa entre o FBI e a CIA) e como a personagem de Blunt acaba sendo nada mais do que uma marionete para que o Sicario atinja seus objetivos e traga novamente para a CIA o poder de controle das drogas entre a fronteira Estados Unidos e México. Tal assunto foi diversas vezes abordado em filmes, mas que aqui sofre uma pequena pincelada, o suficiente para acrescentar a cereja no final da película e conduzir os atores a performances cruas e viscerais.

Atuações essas que não utilizam de demais recursos e por isso mesmo se tornam tão magnânimas em tela. Caso Villeneuve optasse pela mesma história, utilizando somente os três atores, ainda assim continuaria sendo um excelente filme.

Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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