“The Wilds” é uma versão feminina do clássico “O Senhor das Moscas”

The Wilds, a nova série original da Amazon Prime, é quase uma versão feminina do clássico O Senhor das Moscas de William Golding. Só que ao invés de meninos muito jovens perdidos numa ilha, temos garotas adolescentes quase adultas tentando sobreviver ao mesmo tempo que lidam com problemas pessoais.

A série gira em torno de oito meninas Leah (Sarah Pidgeon), Dot (Shannon Berry), Fatin (Sophia Ali), Nora (Helena Howard), Rachel (Reign Edwards), Toni (Erana James), Shelby (Mia Healey) e Martha (Jenna Clause) que por consequências diferentes, acabam indo parar num avião a caminho de um resort em Miami, o Dawn of Eve. Assim que o avião decola, ocorre uma pane e elas caem no mar e vão parar numa ilha deserta. O que elas não sabem é que tudo isso foi planejado. Na verdade, elas foram colocadas lá, pois são objetos de estudo em um experimento científico de um departamento que está prestes a ser encerrado. E tudo, desde o resort, o avião, serviço de bordo e até mesmo a pane, não passou de uma simulação. Os pais não fazem ideia no que enfiaram as próprias filhas.

The Wilds (season 1)

Na ilha elas são observadas 24 horas por dia, sem saber, e entre elas existe ainda uma pessoa infiltrada que é responsável por repassar informações à central. A cada dia que passa surge um novo desafio que coloca à prova a resiliência das garotas. Do outro lado, Gretchen (Rachel Griffiths), a responsável pelo experimento, enfrenta diversos problemas para ver seu projeto triunfar, não ser demitida e ser reconhecida por outros da sua área de trabalho.

A SÉRIE

The Wilds possui três linhas do tempo: passado, presente e futuro. No presente vemos o desenrolar das meninas na ilha e as pessoas envolvidas com o experimento na universidade. No passado, aprendemos mais sobre cada uma delas e o que as levou a serem enviadas para esse pseudo resort. E, finalmente, o futuro é quando acompanhamos o depoimento delas após terem saído da ilha. No entanto, como e quando elas saíram, não fica claro nessa temporada.

The Wilds (season 1)

Ainda que o cenário pareça batido, pessoas isoladas numa ilha deserta, The Wilds tem o trunfo de apostar num elenco de desconhecidas. Com tantos rostos novos, fica bem mais fácil para o espectador criar ligações com as meninas de acordo com suas histórias. Até porque, os dramas são bem particulares e fogem do convencional. Todavia, por mais que haja um esforço em dividir o tempo de tela para cada uma, o protagonismo cai nas mãos de Leah. A novata entrega uma atuação mais visceral e conduz boa parte da trama e conflitos. Nora também é outra personagem bem construída e que está no espectro do autismo e isso ajuda a quebrar certos paradigmas. Todas as meninas tem seus momentos de destaque, nesse ponto, The Wilds é equilibrada, Porém, é inevitável que algumas sobressaiam mais do que outras.

PEQUENOS PROBLEMAS

The Wilds tem uma premissa intrigante que evolui a cada episódio, no entanto, existem falhas no roteiro que não fazem muito sentido, ainda mais dentro do cenário apresentado.

Para começar, as meninas não conversam entre si sobre como foram parar no avião. Em momento algum existe uma conversa sobre as consequências de terem ido parar ali e elas não demonstram interesse também. É quase como se elas tivessem sofrido lavagem cerebral e estão aceitando qualquer afirmação sem tecer críticas ou questionamentos.

The Wilds (season 1)

Por isso Leah (Sarah Pidgeon) acaba sendo a protagonista. A voz dela é a dissonante entre as demais que se apressam em julgá-la ou lhe dar rótulos. O que dentro desse cenário é completamente irreal. Em que mundo pessoas sofrem um acidente de avião e não se questionam o que aconteceu? Ainda mais garotas adolescentes bem instruídas. Parece que se adaptar à essa realidade é mais importante do que descobrir aonde estão ou qualquer outra coisa. Algo útil para o experimento, mas que pode distanciar o espectador algumas vezes.

A atuação dos adultos fica abaixo do esperado. Por um lado entendo a necessidade de dar mais protagonismo as meninas, por outro parece forçado demais esse artifício. E a Rachel Griffiths oscila muito entre ser uma sociopata ou só oportunista.

CONCLUSÃO

Mesmo com os problemas citados acima, The Wilds possui uma primeira temporada intrigante e que prende a atenção do espectador do início ao fim. O artifício de usar três linhas do tempo contribui bastante para criar os mistérios e deixar o espectador curioso ao tentar montar o quebra cabeça. E o último episódio ao invés de dar algumas respostas, bagunça mais a linha do tempo e nos deixa confusos. Sem esquecer que existem algumas meninas que ainda não deram o seu depoimento, ou seja, não apareceram na linha do tempo do futuro. O que pode indicar que elas morreram na ilha, já que não tem como saber quanto tempo ficaram lá ou devem aparecer na próxima temporada que já foi confirmada.

Ficha Técnica
Criador: Sarah Streicher
Roteiro: Sarah Streicher, Daniel Paige, Tonya Kong, Shalisha Francis-Feusner, Melissa Blake, J.L. Tiggett, Amy B. Harris
Elenco: Sophia Ali, Shannon Berry, Jenna Clause, Reign Edwards, Mia Healey, Helena Howard, Erana James, Sarah Pidgeon, David Sullivan, Troy Winbush, Rachel Griffiths
Duração: 10 episódios

Melissa Andrade

Jornalista, Crítica de Cinema há mais de 10 anos, Podcaster, extremamente curiosa, com incontáveis pequenos conhecimentos em diversas áreas e Marvete com orgulho!

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